18/09/2006 - 12h22
OMS aponta que 50% dos medicamentos são prescritos de forma errada.
Cerca de 50% dos medicamentos receitados no Brasil são prescritos, dispensados ou aplicados inadequadamente. Além disso, 75% das receitas que incluem antibióticos contêm erros.
Estes e outros índices preocupantes estão disponíveis na Avaliação da Assistência Farmacêutica no Brasil: estrutura, processo e resultados, produzida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), e estão no site da instituição.
Uma outra pesquisa, também da OMS, mostrou que um percentual entre 15% e 20% dos orçamentos dos hospitais são gastos no manejo das complicações por uso indevido de medicamentos. A prescrição é função exclusiva de médicos e dentistas, e suas entidades representativas afirmam estar tratando do assunto com cautela.
Embora seja um tema recorrente e polêmico, a má caligrafia dos médicos é considerada pelos farmacêuticos a principal causa de problemas de prescrição. Uma receita mal escrita pode provocar confusão na aquisição e na administração do remédio, e os efeitos são imprevisíveis.
A situação é ainda mais preocupante quando se pensa que, além das reações adversas simples, um erro de medicamento pode levar uma pessoa à morte em poucos minutos. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os fármacos são os agentes de 27% dos casos de intoxicação humana registrados no país, atrás dos agrotóxicos agrícolas (7,4%) e domésticos (3%). Quando o caso termina em morte, os remédios representam 16%, atrás apenas dos defensivos agrícolas, com 35%.
De acordo com o vice-presidente do Conselho Regional de Farmácia (CRF), Eustáquio Linhares Borges, que é especializado em toxicologia, os índices são um reflexo suavizado do que se vê no cotidiano. "O sistema de saúde brasileiro só registra os casos que levam ao hospital. Nossas estatísticas são apenas a ponta do iceberg."
Outro problema conhecido, que também é abarcado pela pesquisa, está relacionado às prescrições de antibióticos. Muitas vezes, a administração é feita em farmácias particulares, sem receita. Alguns estudos já apontam a ligação entre o uso desnecessário destas substâncias e crescimento de endemias, não só nos países em desenvolvimento. "O organismo deixa de responder e as bactérias ficam cada vez mais resistentes", explica o farmacêutico.
Este é um dos reflexos na deficiência existentes em muitos cursos de graduação da área da saúde existentes no Brasil, e que coloca em risco a saúde da população, explica Rui Dammenhain, especialista em vigilância sanitária e diretor presidente do INBRAVISA - Instituto Brasileiro de Auditoria em Vigilância Sanitária.
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